Se o Palmeiras hoje é uma rara exceção de clube que consegue montar um planejamento financeiro sem contar com dinheiro da TV aberta e PPV, além de fazer parte de um grupo de times que romperam com a exclusividade do Grupo Globo na TV por assinatura ao assinar com a Turner, há apenas oito anos a situação era completamente diferente.

Com Arnaldo Tirone na presidência, o clube recusou uma proposta da Record em 2011, e seguiu o movimento dissidente liderado pelo Corinthians para acabar com a negociação coletiva do Clube dos 13. No dia 4 de abril de 2011, o Palmeiras anunciava o acordo com a Globo pelo Brasileirão entre 2012 e 2015. Segundo apuraram a Folha de S.Paulo e o UOL Esporte na época, o contrato girava em torno de R$ 80 milhões por ano.

“Fechamos um acordo que vai ser muito bom para o clube e com valor que não fica muito atrás de Corinthians e Flamengo”, disse Tirone durante o anúncio do contrato com a Globo. O curioso é que o time carioca ainda nem havia renovado contrato com a emissora.

O Rubro-Negro demorou a aderir ao formato das negociações individuais. Segundo comunicado divulgado pela Globo naquele dia, os times fechados com a emissora antes do Palmeiras eram Bahia, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Santos, Sport, Vasco e Vitória.

Até 2011, o Verdão recebia R$ 36 milhões por temporada. De fato, o novo acordo parecia mais que dobrar os recebimentos do clube. O problema era a situação como um todo. Dias antes, o Palmeiras tinha recebido uma proposta oficial da Record pelos direitos de TV aberta da competição.

O iG, na época com apuração do jornalista Danilo Lavieri, afirmava que a possibilidade de adiantamento de cotas com a Globo era um fator que atraía o clube a seguir o movimento dissidente. Ou seja, a velha prática de condenar as contas futuras para cobrir os buracos atuais.

Assim, a Record ficou a ver navios em todas as negociações individuais. A presença da emissora de Edir Macedo na concorrência pelo Brasileirão foi o principal fator que apressou o fim do Clube dos 13.

Como a empresa investia pesado no esporte na época, e conseguira tirar da Globo até as Olimpíadas de Londres-2012, havia a expectativa de que a disputa por licitação em envelope fechado fosse completamente imprevisível, com grandes chances de a competição mais importante do país deixar a emissora carioca.

A Globo passou a negociar individualmente com os clubes, apoiada pelo Corinthians de Andrés Sanchez. O Clube dos 13 ficou “bobo” antes de ir a nocaute. Com cada vez mais times negociando diretamente com a emissora carioca, a Record se retirou da concorrência coletiva.

Sobrou apenas a RedeTV!, que venceu o “leilão” com uma proposta de pouco mais de R$ 500 milhões por ano. Venceu, mas não levou, pois o C13 acabou perdendo a “procuração” para negociar em nome dos clubes da Série A.

O Flamengo renovaria com a Globo alguns dias depois por R$ 110 milhões por ano, mesma cota do Corinthians. Segundo o jornalista Cássio Zirpoli, porém, o Palmeiras recebeu R$ 70 milhões por temporada naquele contrato, e não R$ 80 milhões. Até 2011, no entanto, não havia diferença entre Verdão e Rubro-Negro nas cotas do Clube dos 13. Passou a existir naquela negociação. E Tirone ainda comemorou o feito.