Mostramos no post anterior que a Supercopa do Brasil teve baixo público e foi um verdadeiro fracasso em sua última edição, realizada em 1991 e vencida pelo Corinthians justamente em uma final que tinha que tudo para dar certo em termos de mídia, já que era disputada contra o único clube que tem mais torcida no país: o Flamengo. Desde então, nunca mais o torneio foi realizado, voltando agora em 2020.

Mas também mostramos que a primeira edição do torneio, em 1990, não encontrou datas no calendário para acontecer. A CBF decidiu considerar os resultados dos duelos entre Grêmio, campeão da Copa do Brasil de 1989, e Vasco, vencedor do Brasileirão do mesmo, na fase de grupos da Libertadores da América para definir o supercampeão. Deu tricolor gaúcho, que venceu por 2 a 0 em casa e empatou sem gols no Rio.

Então, ficou no ar a pergunta: e se a CBF tivesse continuado a promover uma Supercopa do Brasil usando apenas os resultados da Libertadores? Até 1999, prevaleceu um formato da competição continental no qual a Conmebol sempre fazia chaves na primeira fase com dois times de um país e dois de outro. Por essa razão, os campeões dos dois torneios nacionais sempre se enfrentavam logo de cara, garantindo um confronto de ida e volta usando a tabela da fase de grupos, como foi com Grêmio e Vasco.

O Blog do Allan Simon recupera agora quais seriam essas decisões e os seus respectivos campeões, tendo como base apenas confrontos válidos pela fase de grupos da Libertadores até 1999. No caso de 1991, em que houve uma Supercopa do Brasil exclusiva, vencida pelo Corinthians em jogo único no Morumbi por 1 a 0, vamos apenas registrar: se tivesse sido usada a tabela da competição continental, o campeão seria o Flamengo. No Rio de Janeiro, empate em 1 a 1. Em São Paulo, vitória rubro-negra por 2 a 0.

Supercopa do Brasil 1992 – São Paulo x Criciúma – São Paulo campeão

O Tricolor chegou como campeão brasileiro de 1991, um título conquistado após o time do Morumbi bater na trave duas vezes consecutivas perdendo as finais de 1989 e 1990 para Vasco e Corinthians, respectivamente. O Criciúma tinha sido o surpreendente campeão da Copa do Brasil de 1991, ainda sob comando de Luiz Felipe Scolari, que se tornaria um dos maiores treinadores da história.

Essa Supercopa teria uma história interessante na Libertadores. Criciúma e São Paulo se enfrentaram na estreia, em Santa Catarina, e o Tigre aplicou 3 a 0 naquele que depois seria o campeão continental e mundial da temporada. A equipe catarinense a essa altura era comandada por Levir Culpi.

Mas aquele jogo histórico não teria sido suficiente para o Criciúma garantir mais um título nacional. O São Paulo se vingou com classe. Aplicou um sonoro 4 a 0 no Morumbi, no segundo turno, jogo transmitido pela Rede OM com narração de Galvão Bueno. O resultado daria ao Tricolor paulista o título de campeão da Supercopa do Brasil 1992.

OBS: O Criciúma se classificou em primeiro lugar naquela chave, mesmo tomando a goleada. Os times voltaram a se encontrar nas quartas de final, quando o São Paulo venceu o duelo de ida por 1 a 0 e garantiu a vaga na semi com um empate em 1 a 1 na volta.

Supercopa do Brasil 1993 – Flamengo x Internacional – Flamengo campeão

O Flamengo chegava como campeão brasileiro de 1992, enquanto o Internacional vinha com o seu até hoje único título da Copa do Brasil, no mesmo ano. Novamente, a Conmebol colocou os dois campeões nacionais para se enfrentarem logo na estreia da competição continental. Era uma prática comum.

No primeiro jogo, em Porto Alegre, empate em 0 a 0. Um mês depois, no Rio de Janeiro, o Flamengo venceu por 3 a 1, resultado que daria ao time rubro-negro o título de campeão da Supercopa do Brasil 1993.

OBS: O Flamengo liderou a chave, mas o Internacional acabou eliminado sem sequer vencer na Libertadores. Foram três empates e três derrotas. A campanha rubro-negra seguiu até as quartas de final, quando o time carioca acabou caindo no caminho da máquina tricolor de Telê Santana. O São Paulo foi campeão novamente da competição.

1994 – Palmeiras x Cruzeiro – Palmeiras campeão

O Palmeiras voltou a ser campeão brasileiro após 20 anos de espera em 1993. O Cruzeiro venceu a primeira de suas seis taças na Copa do Brasil naquele ano. Em 1994, os dois times se enfrentaram na estreia da Libertadores.

Com uma de suas melhores formações da história, o Palmeiras estreou com vitória no Palestra Itália. Venceu o Cruzeiro por 2 a 0, com dois gols de Edílson. Era o início promissor de uma campanha que teria a goleada por 6 a 1 sobre o Boca Juniors na rodada seguinte, mas acabou se perdendo no caminho.

O duelo de volta entre Cruzeiro e Palmeiras acabou no fim de março de 1994. No Mineirão, a Raposa bateu o Verdão por 2 a 1. Resultado importante para garantir posteriormente uma classificação acima do rival paulista no grupo. Mas que não serviria para o título da Supercopa do Brasil. Portanto, Palmeiras campeão.

OBS: Palmeiras e Cruzeiro posteriormente foram eliminados na mesma fase da Libertadores-1994. No primeiro mata-mata, o das oitavas de final, o Verdão caiu diante do então atual bicampeão, o São Paulo. A Raposa sucumbiu para o Unión Española, do Chile, que mais tarde também seria eliminado pelo Tricolor. O time do Morumbi chegou até a final e sonhou com o tri consecutivo, mas foi derrotado pelo Vélez Sarsfield nos pênaltis.

1995 – Palmeiras x Grêmio – Palmeiras bicampeão

Muita gente se lembra das goleadas nos jogos entre Palmeiras e Grêmio na Libertadores de 1995. Mas elas eram válidas pelas quartas de final da competição, quando o Tricolor gaúcho aplicou 5 a 0 no jogo de ida, mas tomou sufoco ao perder por 5 a 1 na volta.

Comandado por Felipão, o time gremista foi campeão continental naquele ano. Mas os resultados da primeira fase dariam a Supercopa ao Palmeiras pela segunda vez seguida. O Verdão chegava novamente como campeão brasileiro, e Tricolor gaúcho tinha sido campeão da Copa do Brasil.

A estreia foi um jogão disputado no Palestra Itália e vencido pelo Palmeiras pelo placar apertado e emocionante de 3 a 2.

Considerando os cinco gols daquele jogo e lembrando as goleadas que viriam no mata-mata entre os mesmos times, soa até estranho, mas a volta na fase de grupos em Porto Alegre ficou no 0 a 0, resultado que teria consolidado o Palmeiras como campeão da Supercopa do Brasil de 1995.

1996 – Botafogo x Corinthians – Corinthians campeão

O Corinthians agora chegava como campeão da Copa do Brasil de 1995. O Botafogo era o campeão brasileiro. O primeiro jogo aconteceu no Pacaembu. Edmundo era uma das novidades corintianas. E o time paulista dominou por completo o duelo de “ida”. Vitória por 3 a 0.

Na segunda partida, no Maracanã, o Corinthians conseguiu um empate em 1 a 1 que o deixou a um ponto da classificação na Libertadores, e que teria sido suficiente para o título da Supercopa do Brasil de 1996.

OBS: O Corinthians passou como líder absoluto do grupo, mas o Botafogo também conseguiu se classificar. O time carioca acabou eliminado logo nas oitavas de final ao cruzar com o Grêmio, que entrava diretamente naquela fase como atual campeão. Foi justamente o Tricolor gaúcho quem eliminou os corintianos, que tinham passado pelo Espoli, do Equador, nas oitavas de final, e acabaram caindo nas quartas.

1997 – Grêmio x Cruzeiro – Sorteio ou Grêmio campeão

O Grêmio agora chegava com a moral de campeão brasileiro de 1996 em uma decisão emocionante com a Portuguesa, mas tinha perdido Felipão para o futebol japonês. O Cruzeiro era o campeão da Copa do Brasil do ano anterior, batendo o Palmeiras na final.

Os dois times estrearam se enfrentando na Libertadores de 1997 em Belo Horizonte. E deu Grêmio. Os gaúchos venceram por 2 a 1 em pleno Mineirão.

A volta, no dia 12 de março, em Porto Alegre, teve um troco. O Cruzeiro venceu também por um gol de diferença, mas por 1 a 0. O regulamento da Supercopa de 1990, que estamos usando como base, previa que um sorteio definisse o campeão caso houvesse empate na soma dos dois jogos.

Não há como projetar, portanto, quem teria levado a melhor na bolinha. Mas, se a CBF tivesse mudado o critério naquela época para considerar o gol qualificado, o time gaúcho levaria a melhor. Pode se decidir, amigo leitor e amiga leitora: sorteio, ou Grêmio campeão da Supercopa do Brasil de 1997?

OBS: Cruzeiro e Grêmio voltariam a se enfrentar na Libertadores de 1997 nas quartas de final. Desta vez, vitória incontestável da Raposa. O time mineiro venceu por 2 a 0 na ida e perdeu por 2 a 1 na volta, garantindo vaga na semifinal e seguindo o caminho que terminou com o título continental naquele ano.

Como dissemos, só consideramos resultados da fase de grupos, já que era impossível projetar na época se os confrontos voltariam a acontecer no mata-mata.

1998 – Vasco x Grêmio – Vasco campeão

Olha o Grêmio aí de novo. O time gaúcho ganhou muitos títulos na década de 1990, e desta vez estaria na Supercopa do Brasil pelo troféu da Copa do Brasil de 1997, conquistado contra o Flamengo em pleno Maracanã. O Vasco era o campeão brasileiro, título confirmado pela melhor campanha geral após dois empates sem gols contra o Palmeiras na decisão.

A estreia de ambos mais uma vez foi no confronto direto. Jogando em Porto Alegre, o Grêmio conquistou os três pontos vencendo por 1 a 0. Guilherme foi o autor do gol:

Na volta, porém, o Vasco deu o troco com juros e correção. O time da Colina aplicou um 3 a 0 no Grêmio em São Januário em jogo polêmico nos bastidores e que teve show de Donizete e Luizão dentro de campo. O resultado daria ao Vasco título de campeão da Supercopa do Brasil de 1998.

OBS: Mais uma vez, o confronto se repetiu nas quartas de final. Após despachar nas oitavas o defensor do título, o Cruzeiro, o Vasco também eliminou o Grêmio após empate em 1 a 1 na ida e vitória por 1 a 0 na volta. O time carioca seria o campeão da competição no ano de seu centenário ao vencer o Barcelona de Guayaquil na final.

1999 – Palmeiras x Corinthians – Sorteio ou Palmeiras campeão

O clássico paulista teria surgido na Supercopa do Brasil de 1999. E, usando os resultados da fase de grupos da Libertadores, o resultado é inconclusivo. Como citamos anteriormente, a CBF previa um sorteio em caso de empate no agregado em 1990. Isso aconteceria no duelo entre Palmeiras e Corinthians.

O Palmeiras estreou com vitória na Libertadores vencendo por 1 a 0 no Morumbi. Arce foi o autor do gole em uma partida de arbitragem polêmica que irritou os dois lados, principalmente o corintiano:

Em março, eles voltaram a se enfrentar no mesmo Morumbi. Desta vez, o Corinthians foi o vencedor. Bateu o Palmeiras por 2 a 1 em uma noite de protestos de sua própria torcida no pré-jogo.

Como no exemplo de 1997, temos que deixar em aberto. Ou a CBF faria um sorteio, ou poderia dar o título considerando gol qualificado. O problema é considerar gol de visitante em um duelo que teve dois jogos no mesmo estádio. Se pensar que o Palmeiras foi mandante no primeiro jogo, e o Corinthians no segundo, o título é alviverde, que marcou um gol na volta.

OBS: Depois do jogo, como você pode ver no vídeo acima, Felipão ficou irritado com a derrota apontando que o resultado poderia ter jogado o Palmeiras no caminho mais difícil de enfrentar o Vasco nas oitavas de final. Aconteceu, mas o Verdão goleou o time da Colina em São Januário por 4 a 2. Encontrou justamente o Corinthians na fase seguinte. Cada um venceu um jogo por 2 a 0, e o time alviverde levou a melhor nos pênaltis, seguindo o caminho para ser campeão da Libertadores em 1999.

E depois, como ficaria a Supercopa do Brasil?

Em 2000, a Libertadores foi completamente reformulada. A Conmebol aumentou de 16 para 32 os participantes da fase de grupos, deu mais vagas ao Brasil e outros países, e parou de forçar chaves com apenas dois países. Os confrontos entre os campeões nacionais não aconteciam mais na primeira fase.

Além do calendário apertado, o fracasso da primeira iniciativa da Supercopa do Brasil também pode ser explicado pelo fato de que era desnecessário criar um torneio nos anos 1990 para colocar frente a frente os dois campeões nacionais do ano anterior. Por uma simples razão: a Libertadores cuidava disso. Os melhores times da temporada passada mediriam forças duas vezes, e, em muitas ocasiões, como pudemos ver, voltavam a se encontrar no mata-mata.

A partir de 2000, sim, é que fez falta uma Supercopa no calendário. Os jogos que ficaram nesse vácuo seriam os seguintes (sempre na ordem “campeão brasileiro x campeão da Copa do Brasil”):

2000 – Corinthians x Juventude
2001 – Vasco x Cruzeiro
2002 – Athletico Paranaense x Grêmio
2003 – Santos x Corinthians
2004 – Cruzeiro x Santos*
2005 – Santos x Santo André
2006 – Corinthians x Paulista de Jundiaí
2007 – São Paulo x Flamengo
2008 – São Paulo x Fluminense
2009 – São Paulo x Sport Recife
2010 – Flamengo x Corinthians
2011 – Fluminense x Santos
2012 – Corinthians x Vasco
2013 – Fluminense x Palmeiras
2014 – Cruzeiro x Flamengo
2015 – Cruzeiro x Atlético-MG
2016 – Corinthians x Palmeiras
2017 – Palmeiras x Grêmio
2018 – Corinthians x Cruzeiro
2019 – Palmeiras x Cruzeiro

* O regulamento atual da Supercopa do Brasil prevê que, em caso de um mesmo time conquistar os títulos da Copa do Brasil e do Brasileirão na temporada anterior, o troféu será disputado contra o vice-campeão brasileiro.

É claro que esse post todo foi um exercício de imaginação, mas foi legal relembrar grandes duelos entre os campeões nacionais na temporada seguinte. A Supercopa do Brasil volta a acontecer no próximo dia 16, em Brasília, com um jogo único em campo neutro entre Flamengo e Athletico Paranaense. A partida está marcada para as 11h (horário de Brasília).

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