O Mundial de Clubes de 2000 completa 20 anos neste dia 5 de janeiro. Organizada pela Fifa como um torneio praticamente experimental, a competição foi sediada pelo Brasil, que buscava mostrar que poderia receber grandes competições e era candidato a ser o país-sede da Copa do Mundo de 2006.

Até hoje, o campeonato provoca polêmicas por causa dos critérios de escolha dos participantes. O Vasco, por exemplo, entrou como campeão da Libertadores de 1998 mesmo havendo outro campeão continental, o Palmeiras, há mais de seis meses.

A Conmebol indicou a equipe carioca dias antes da final da Libertadores-1999, o que provocou a ira dos palmeirenses, que ficaram com a promessa de disputar a segunda edição organizada pela Fifa, na Espanha, em 2001. O torneio nunca foi realizado.

O próprio Corinthians, que foi o campeão mundial naquela edição, é por vezes questionado por não ter conquistado a Libertadores antes de ganhar o mundo. Sobre isso, até hoje os campeões nacionais do país-sede do Mundial de Clubes são convidados pela Fifa, mantendo a legitimidade dessa vaga. O que mudou é que, pelo regulamento atual, jamais poderia haver a participação de dois times do mesmo país na competição.

Ou seja, pelo regulamento de hoje, a presença do Vasco (ou do Palmeiras) anularia a participação alvinegra, que seria substituído pelo vice continental – desde que fosse de outra nação, o que seria o caso do Barcelona de Guayaquil-EQU, vice dos cariocas em 1998, ou do Deportivo Cali, vice dos alviverdes em 1999.

Veja aqui todos os gols do Mundial de Clubes de 2000: 

Além disso, o Corinthians foi selecionado como campeão brasileiro de 1998, mesmo critério usado para alçar o Vasco ao Mundial de Clubes. O time teve competência e sorte para evitar questionamentos faturando um bicampeonato nacional dias antes do torneio internacional. O Atlético-MG poderia ter sido o campeão brasileiro no dia 22 de dezembro de 1999, e mesmo assim o representante brasileiro seria o time corintiano.

Também houve polêmica sobre a indicação do Al-Nassr, que era o campeão da Supercopa da Ásia de 1998, e não do Jubilo Iwata, que faturou a Copa dos Campeões da Ásia de 1999, principal torneio do continente, e também a Supercopa no mesmo ano. O time japonês também ficou reservado para o Mundial de Clubes jamais disputado, mas programado para 2001.

O Real Madrid foi convidado como campeão da Copa Intercontinental de 1998, torneio hoje reconhecido pela Fifa como um Mundial Interclubes. Manchester United, campeão europeu de 1999, Necaxa, campeão da Concacaf no mesmo ano, e South Melbourne, campeão da Oceania, completaram a formação dos times antes do sorteio. O representante africano só saiu no dia 12 de dezembro de 1999, quando o Raja Casablanca faturou a taça continental. Ou seja, critérios completamente distintos para cada vaga.

Dentro de campo, o Corinthians foi campeão após bater o Vasco nos pênaltis da final após um empate em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. O time alvinegro venceu Raja Casablanca e Al-Nassr na primeira fase, empatando com o Real Madrid e levando a vaga para a decisão no saldo de gols.

O Vasco teve desempenho melhor. Venceu seus três jogos contra South Melbourne, Manchester United e Necaxa, garantindo o outro posto na final. Houve ainda uma decisão de terceiro lugar vencida pelo Necaxa contra o Real Madrid, também nos pênaltis, na preliminar da final no Maracanã.

Tudo isso contado, chegou a hora de revisitar os valores que envolveram o Mundial de Clubes de 2000. O torneio foi disputado em São Paulo e Rio de Janeiro, usando apenas Morumbi e Maracanã. Eram os mesmos estádios que a seleção brasileira viria a usar de forma alternada no começo das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002.

Os preços dos ingressos variou de acordo com estádios e setores. O Blog do Allan Simon encontrou esses valores na edição do dia 5 de janeiro de 2000 do jornal Folha de S.Paulo. Para fazer a atualização monetária, usamos o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e referência como inflação oficial do governo.

Os meses de referência foram janeiro de 2000 e novembro de 2019, o último com índice fechado até aqui. A inflação total nesses quase 20 anos ficou em 231,1%. Os valores a seguir se referem à primeira fase do Mundial. Siga lendo esta reportagem para chegar aos preços dos ingressos da grande final.

Morumbi – Preços dos ingressos na época: 

Arquibancadas

– Laterais laranja e amarela: R$ 10
– Centrais vermelha e azul: R$ 15

Cadeiras

– Superiores amarela e laranja: R$ 20
– Superiores azul e vermelha: R$ 30
– Inferiores laranja e amarela: R$ 10
– Inferiores azul e vermelha: R$ 15

Salário mínimo vigente no Brasil: R$ 136

Morumbi – Preços atualizados dos ingressos em novembro de 2019:

Arquibancadas

– Laterais laranja e amarela: R$ 33,11
– Centrais vermelha e azul: R$ 49,67

Cadeiras

– Superiores amarela e laranja: R$ 66,22
– Superiores azul e vermelha: R$ 99,33
– Inferiores laranja e amarela: R$ 33,11
– Inferiores azul e vermelha: R$ 49,67

Salário mínimo vigente no Brasil em novembro de 2019: R$ 998

MaracanãPreços dos ingressos na época: 

Arquibancadas

– Verde A e B: R$ 10
– Amarela A e B: R$ 15
– Central: R$ 20

Cadeiras

– Inferiores amarela e azul: R$ 10
– Inferior especial: R$ 50

Salário mínimo vigente no Brasil: R$ 136

MaracanãPreços atualizados dos ingressos em novembro de 2019:

 Arquibancadas

– Verde A e B: R$ 33,11
– Amarela A e B: R$ 49,67
– Central: R$ 66,22

Cadeiras

– Inferiores amarela e azul: R$ 33,11
– Inferior especial: R$ 165,55

Salário mínimo vigente no Brasil em novembro de 2019: R$ 998

Ou seja, em preços corrigidos apenas pela inflação com o dinheiro de hoje, o ingresso mais barato do Mundial de Clubes da Fifa sairia por pouco mais de R$ 33, enquanto o mais caro passava um pouco dos R$ 165.

Mas, como é preciso estabelecer uma relação entre preços e salários, o ingresso mais barato do Mundial de Clubes da Fifa custava o equivalente a 7,35% do valor mínimo vigente em janeiro de 2000. Essa proporção com base no salário mínimo de 2019 daria R$ 73,35. Se considerarmos o novo valor estipulado para 2020 em medida provisória pelo presidente Jair Bolsonaro (R$ 1.039), chegaria a R$ 76,36.

O ingresso mais caro (R$ 50) custava 36,7% do salário mínimo em janeiro de 2000. Essa proporção bateria nos R$ 366,26 em 2019, chegando a R$ 381,31 em 2020.

Da mesma forma, um ingresso de R$ 30 no Morumbi precisa ser compreendido para além dos quase R$ 100 que a atualização monetária pelo IPCA indica. No quesito “peso no bolso”, aquela entrada custava 22% da renda de um salário mínimo. Hoje em dia, essa fatia passaria dos R$ 228.

Também é importante destacar que esses ingressos davam direito ao torcedor acompanhar duas partidas em sequência em cada estádio. Quem comprou para ver a estreia do Corinthians contra o Raja Casablanca no Morumbi há exatos 20 anos podia ver também o duelo entre Real Madrid e Al-Nassr, que abriu o oficialmente o Mundial de Clubes.

Ingressos na final do Mundial de Clubes de 2000

Para a rodada dupla que incluía a decisão do terceiro lugar entre Real Madrid e Necaxa, mais a grande final do Mundial de Clubes de 2000 entre Vasco e Corinthians, a organização aumentou os preços dos ingressos no Maracanã.

Arquibancadas

– Verdes: R$ 15
– Amarelas: R$ 20
– Central: R$ 30

Cadeiras

– Inferiores amarela e azul: R$ 15
– Inferior especial: R$ 60

Atualizando com a inflação em janeiro de 2000 e novembro de 2019, chegamos aos novos valores:

Arquibancadas

– Verdes: R$ 49,67
– Amarelas: R$ 66,22
– Central: R$ 99,33

Cadeiras

– Inferiores amarela e azul: R$ 49,67
– Inferior especial: R$ 198,99

No caso do ingresso mais caro da final do Mundial de Clubes de 2000, os R$ 60 eram equivalentes a 44,1% do salário mínimo da época. Essa parcela em 2020 (mínimo novo de R$ 1.039) seria de R$ 458,20.

Para o mais barato, a conta é com base nos R$ 15, que davam 11% do mínimo na ocasião. Hoje isso daria R$ 114.

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