O dia 22 de dezembro de 1999 marcou a conquista do terceiro título brasileiro da história do Corinthians após um empate em 0 a 0 com o Atlético-MG no Morumbi. Foi o jogo 3 daquele “playoff” que decidiu o Brasileirão. Na primeira partida, vitória atleticana por 3 a 2. No segundo duelo, vingança corintiana,  2 a 0. A igualdade no último encontro premiou o time de melhor campanha nas fases anteriores.

A decisão que valeu o tri para o time alvinegro paulista entrou para a história por causa da bagunça que atrapalhou a vida de torcedores e jogadores por causa de uma imposição da Rede Globo e a consequente reação do então prefeito de São Paulo, Celso Pitta. A emissora queria a final à tarde, 16h, em um dia útil marcado pela correria das compras de Natal e fechamentos de ano nas empresas.

Isso já havia acontecido no ano anterior, quando Corinthians e Cruzeiro fizeram a decisão no mesmo Morumbi, e na ocasião comerciantes e a prefeitura reclamaram muito dos efeitos que aquele jogo causou no trânsito e na rotina dos paulistanos. Havia um agravante: tinha sido na antevéspera de Natal, dia 23 de dezembro.

Todo esse cenário de 1998 fez com que um ano depois Pitta resolvesse entrar com uma ação na Justiça para proibir o jogo no período da tarde. A Globo, que tinha programado especiais de fim de ano na faixa noturna, batia o pé para manter a decisão vespertina. Mas a liminar foi obtida pela prefeitura. O jogo deveria começar depois das 21h.

Quando o dia 22 de dezembro de 1999 começou, ninguém sabia ao certo que hora a partida se iniciaria. Pitta tinha a liminar, mas a Globo torcida para que ela fosse derrubada com uma decisão a seu favor. Quem representou essa posição na batalha judicial foi a CBF. A Band, outra detentora dos direitos de transmissão, porém, era favorável ao jogo no horário noturno.

“Nós somos contra o jogo à tarde, que é uma imposição da TV Globo. É um horário incoveniente para a grandeza dessa final”, disse à Folha de S.Paulo do dia 22/12/1999 o empresário J. Hawilla (1943-2018), dono da Traffic, que controlava o departamento de esportes da Band desde aquele ano.

A Justiça de São Paulo seguiu a linha original e negou liminar à CBF/Globo, exigindo o horário mínimo de 21h para início da partida. O desembargador Carlos Alberto Oetterer justificou a negativa dizendo que o horário determinado pela CBF causava prejuízos ao comércio e privaria a população de ver o jogo pela televisão, uma vez que era horário de trabalho (16h).

Essa confusão fez com que o Clube dos 13 já discutisse acabar com o formato de playoffs, retornando à decisão em dois jogos fixos. Na verdade, o Brasileirão de 2000 seria organizado por ele próprio em forma de Copa João Havelange devido a um problema judicial da CBF com o Gama. Depois disso, foram apenas mais duas edições em mata-mata, 2001 e 2002, ambas com dois jogos finais fixos.

Era impossível não contar essa história para entender o contexto de quem comprou ingresso para ver aquele Corinthians 0 x 0 Atlético-MG em 1999. Isso posto, a seção “Quanto Custava?” pesquisou os valores das entradas para aquela decisão no Morumbi. Jogo que era para ser às 16h, ficou arriscado de não acontecer, mas acabou sendo realizado no horário que a Band queria – e não a Globo.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo do dia 21 de dezembro de 1999, os preços dos ingressos para Corinthians x Atlético-MG no Morumbi eram:

Arquibancada térrea: R$ 5
Arquibancada superior vermelha e azul: R$ 15
Arquibancada superior laranja e amarela: R$ 10 (estudante pagava R$ 5)
Cadeira cativa superior e térrea: R$ 15
Cadeira térrea: R$ 15
Cadeira especial: R$ 30

Usando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), fizemos a atualização monetária desses ingressos. A inflação acumulada entre dezembro de 1999 e novembro de 2019 por esse índice ficou em 233%.

Confira quanto custavam, em valores de hoje, os ingressos para Corinthians x Atlético-MG em 1999:

Arquibancada térrea: R$ 16,65
Arquibancada superior vermelha e azul: R$ 49,96
Arquibancada superior laranja e amarela: R$ 33,31 (estudante pagava R$ 16,65)
Cadeira cativa superior e térrea: R$ 49,96
Cadeira térrea: R$ 49,96
Cadeira especial: R$ 99,93

Como sempre, nossa seção também estabelece a relação entre o custo do ingresso e o salário mínimo vigente à época. O valor em 1999 era de R$ 136:

– A entrada mais barata (R$ 5) custava 3,67% de um salário mínimo;
– A entrada mais cara (R$ 30) custava 22% de um salário mínimo;
– Os ingressos intermediários (R$ 10 e R$ 15) ficavam em 7,3% e 11% do salário mínimo, respectivamente;
– Um ingresso que custasse 3,67% do salário mínimo atual sairia por R$ 36,62, e não apenas os R$ 16,65 da conversão.
– Um ingresso que custasse 22% do mínimo de hoje (R$ 998) teria o preço de R$ 219,56.
– Os ingressos intermediários, a 7,3% e 11% do mínimo, hoje sairiam por R$ 72,85 e R$ 109,78, respectivamente.

Veja os melhores momentos daquele Corinthians x Atlético-MG:

Conheça a nossa seção “Quanto Custava?”, que mostra preços atualizados do futebol antigo: 

– Quanto custava um ingresso para ver o milésimo gol de Pelé há 50 anos?
– Como era e quanto custava comprar uma camisa oficial dos grandes de SP nos anos 1980? 
– Como era e quanto custava comprar as camisas oficiais dos grandes do RJ nos anos 1980? 
– Como era e quanto custava comprar as camisas dos grandes de MG nos anos 1980? 
Quanto custava um ingresso para a inauguração do Morumbi em 1960? 
Quanto custava o Peg & Fale Gol, celular oficial dos times paulistas em 2001?

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