O Flamengo foi campeão brasileiro e conseguiu garantir um título no último dos “anos 2010*”, assim como havia feito com a década anterior ao conquistar o troféu nacional em 2009. Com isso, o time rubro-negro pode dizer que ganhou o Brasileirão pelo menos uma vez em todas as últimas quatro décadas. Mas o clube foi, ao mesmo tempo, apenas o quinto diferente a faturar a competição no período 2010-2019.

Fluminense (2010 e 2012), Corinthians (2011, 2015 e 2017), Cruzeiro (2013 e 2014) e Palmeiras (2016 e 2018) eram os campeões anteriores. Com a conquista do Flamengo, esta década termina sendo a menos plural em variação de vencedores do Campeonato Brasileiro desde os “anos 1960”. Em uma época dominada pelo Santos de Pelé, foram apenas quatro times diferentes faturando títulos entre 1960 e 1969.

O Peixe foi campeão em 1961, 1962, 1963, 1964, 1965 (Taça Brasil) e 1968 (Torneio Roberto Gomes Pedrosa). O Cruzeiro faturou uma Taça Brasil em 1966, e o Botafogo conquistou a de 1968. O Palmeiras foi campeão dela em 1967, mesmo ano no qual faturou o Robertão, que voltaria a conquistar em 1969.

Ou seja, apenas Santos, Botafogo, Cruzeiro e Palmeiras tiveram o direito de comemorar títulos brasileiros nos anos 1960. O Bahia foi o primeiro campeão, mas na única edição disputada nos “anos 1950”, já em 1959.

A partir dos “anos 1970”, a quantidade de campeões pulverizou, tornando o Brasileirão um dos campeonatos mais imprevisíveis e equilibrados do mundo, mesmo sendo também um dos mais mal organizados devido a regulamentos absurdos e inchaços inacreditáveis do número de participantes.

Entre 1970, último ano do Robertão, e 1979, foram sete times diferentes: Fluminense (1970), Atlético-MG (1971), Palmeiras (1972 e 1973), Vasco da Gama (1974), Internacional (1975, 1976 e 1979), São Paulo (1977) e Guarani (1978).

No período 1980-1989, veio o recorde, mas graças ao título conquistado pelo Sport após a negativa de Flamengo e Internacional, campeão e vice da Copa União de 1987, em participar do quadrangular final organizado pela CBF com o time pernambucano e o Guarani, vencedores do torneio organizado pela entidade e chamado de “Módulo Amarelo”.

Com isso, foram oito times diferentes campeões nos “anos 1980”: Flamengo (1980, 1982, 1983 e o não reconhecido pela Justiça título de 1987), Grêmio (1981), Fluminense (1984), Coritiba (1985), São Paulo (1986), Sport (1987), Bahia (1988) e Vasco da Gama (1989).

Na década seguinte, o padrão de sete campeões em dez anos, que acabou alterado na anterior pela conquista do Sport, voltou a reinar. Venceram no período (1990-1999): Corinthians (1990, 1998 e 1999), São Paulo (1991), Flamengo (1992), Palmeiras (1993 e 1994), Botafogo (1995), Grêmio (1996) e Vasco (1997).

Entre 2000 e 2009, uma mudança alterou a “democratização” dos títulos: o Brasileirão mudou de mata-mata para pontos corridos em 2003. Nas três edições disputadas antes dessa alteração, três campeões diferentes: Vasco (2000), Athletico Paranaense (2001) e Santos (2002). O Peixe voltaria a ser campeão, já nos pontos corridos, em 2004. Além dele, quatro times ganharam neste formato: Cruzeiro (2003), Corinthians (2005), São Paulo (2006, 2007 e 2008) e Flamengo (2009), mantendo a média de sete.

Mas a primeira década completa com pontos corridos derrubou esse patamar para os cinco clubes que conquistaram os títulos de 2010 a 2019. As próximas páginas de 2020-2029 estão prontas para serem escritas.

* O Blog do Allan Simon está considerando o conceito de década que agrupa as dezenas dos anos. Ou seja, 1990 fica sendo parte dos “anos 1990”. Existe outro conceito, também correto, que considera a origem do calendário atual no ano 1, não havendo ano 0, para agrupar as décadas entre 2001 e 2010, por exemplo, cenário no qual a década em que estamos terminaria apenas em 2020.

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