Os direitos de transmissão representaram um caixa de quase R$ 2,5 bilhões aos principais clubes brasileiros na temporada 2019. A conclusão é de um relatório do Itaú BBA conduzido pelo economista Cesar Grafietti e publicado nesta semana, que traz análises sobre várias fontes de renda dos times, inclusive dinheiro da TV. Você pode conferir a íntegra do estudo clicando aqui.

Mesmo em um ano famoso pelos novos contratos que aumentaram os rendimentos dos times no Brasileirão, o aumento nas receitas ficou em 7,6% na comparação com os valores corrigidos de 2018. Segundo o estudo, na prática, esse crescimento se explica mais pelos prêmios por desempenho atrelados a contratos de transmissão, como a conquista do Flamengo na Libertadores, do que pelos novos acordos no principal campeonato nacional.

(Confira um resumo dessa matéria em vídeo:)

Premiações contam como dinheiro de televisão porque são geradas a partir desses acordos. Na Copa do Brasil, por exemplo, um time não tem contrato específico para TV e recebe da CBF um prêmio por “bondade”. Os clubes são remunerados de acordo com a importância das fases que disputam. A premiação vem do dinheiro pago pela Globo e é distribuída aos poucos.

Um exemplo para separar o que prêmio do que é direito de transmissão pode ser visto na final da competição. O vice-campeão recebe um valor na casa dos R$ 20 milhões, enquanto o campeão fatura mais de R$ 50 mi. Ou seja, a quantia real que premia o vencedor está na diferença entre essas duas cotas. E o direito de transmissão da Copa do Brasil vale o que o vice leva para casa.

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Realizado a partir dos balanços publicados pelos clubes, o relatório do Itaú BBA mostra o Flamengo como o time que mais recebeu dinheiro da TV em 2019, justamente impulsionado pelos títulos do Brasileirão, Carioca e, principalmente, da Libertadores. Com tudo somado, mais acordos normais para as transmissões, a temporada de ouro do Rubro-Negro valeu uma receita de R$ 330 milhões com TV. No ano anterior, foram R$ 232 mi.

Abastecido pelas luvas do novo contrato com a Globo pelos direitos de transmissão de TV aberta e PPV (pay-per-view) do Brasileirão, assinado já com a competição em andamento no ano passado, o Palmeiras faturou R$ 214 milhões com televisão, contra R$ 143 mi em 2018. Foi o segundo colocado.

O Corinthians apresentou queda. Foi de R$ 206 milhões para R$ 189 mi. Essa diferença para baixo é facilmente explicável pelo rendimento do clube, que em 2018 tinha chegado à final da Copa do Brasil, que já valia R$ 20 milhões. Em 2019, o time parou nas oitavas de final da mesma competição.

Depois do Grêmio, que arrecadou R$ 165 milhões (contra R$ 143 mi em 2018), aparece um exemplo contrário ao do Corinthians. O Athletico Paranaense, que já teria um bom desempenho por ter tido muitas transmissões em TV aberta no Brasileirão, foi o campeão da Copa do Brasil e levou para casa os R$ 51 milhões da final. Tudo isso foi suficiente para o Furacão, sem vender PPV no Campeonato Brasileiro, pular de R$ 90 milhões (2018) para R$ 160 milhões (2019).

Vice-campeão da Copa do Brasil em 2019, o Internacional também teve alta nos ganhos, passando de R$ 106 milhões para R$ 155 mi. Na sequência, aparece o São Paulo, que oscilou de R$ 141 milhões para R$ 137 milhões entre 2018 e 2019.

O Atlético-MG melhorou os ganhos, indo de R$ 104 mi para R$ 121 mi. O Santos também apresentou oscilação positiva (R$ 107 milhões para R$ 111 milhões). O Fluminense teve uma leve baixa (R$ 118 mi para R$ 108 mi), enquanto o Cruzeiro sentiu os efeitos graves do rebaixamento.

Sem direito a participar da divisão de 30% do valor pago por TV Globo e SporTV nas transmissões do Brasileirão, já que a premiação por desempenho contempla apenas os 16 primeiros colocados da Série A, o Cruzeiro também viu o drama do contraste de ter sido campeão da Copa do Brasil, faturando R$ 50 milhões só pela vitória na final. O resultado: a arrecadação da Raposa foi de R$ 193 milhões em 2018 para R$ 106 milhões no ano passado.

Na sequência do ranking de arrecadação: Botafogo (R$ 83 milhões), Bahia (R$ 81 mi), Goiás (R$ 67 mi), Avaí (R$ 51 mi), Ceará (R$ 46 mi), Fortaleza (R$ 43 mi), Sport (R$ 22 mi), Ponte Preta (R$ 13 mi), Atlético-GO (R$ 13 mi), América-MG (R$ 10 mi), Paraná, Red Bull Bragantino e Vitória (R$ 8 mi cada).

– Mas quem dependeu mais do dinheiro da TV?

Considerando a participação dessas cotas de televisão no total de receitas de cada clube analisado nas finanças de 2019, o estudo do Itaú BBA mostrou que Avaí (75%), Goiás (69%), Vasco (53%), Corinthians (53%), Atlético-MG (47%) e Ceará (47%) foram os mais dependentes.

No campo intermediário, apareceram Athletico Paranaense (45%), Botafogo (45%), Bahia (44%), Fluminense (43%), Grêmio (42%) e Flamengo (39%).

Os menos dependentes foram Internacional (37%), São Paulo (37%), Cruzeiro (37%), Fortaleza (36%), Palmeiras (34%) e Santos (28%).

Mas há um porém. O relatório apresenta duas versões de dados. Além desta, há também a que mostra o percentual do dinheiro da TV dentro das chamadas “receitas recorrentes”, ou seja, valores que vão estar todos os anos no orçamento dos clubes. Isso basicamente exclui as vendas de jogadores, já que não há certeza disso toda temporada, nem é possível vender o mesmo atleta todos os anos.

Sem considerar os ganhos com vendas de jogadores é que podemos perceber os clubes que realmente diversificaram suas fontes de receitas. O estudo do Itaú BBA mostra que a maioria dos clubes analisados está em uma relação de dependência do dinheiro da TV para metade do faturamento anual.

Times que subiram da Série B em 2018 e viveram em 2019 um primeiro ano de elite acabaram tendo inflados os ganhos com TV. E isso aumentou a “dependência”. O Avaí, por exemplo, teve na televisão a fonte de 78% de sua renda recorrente. O Goiás teve 70%.

Na sequência, aparece o Fluminense, com 68%. O Athletico surge com 62%, mas muito impulsionado pelo prêmio da Copa do Brasil. No anterior, o Furacão tinha ficado com 54% nessa conta. O Atlético-MG viu subir a dependência, passando de 56% para 61%.

Sem contar dinheiro de venda de atletas, o Santos, que era o time “menos dependente” da TV com 28% da receita nessa fonte, disparou para 60% de representatividade da grana dos direitos de transmissões sobre as receitas recorrentes.

O Cruzeiro, por sua vez, sem os prêmios da Copa do Brasil e do Brasileirão, viu a participação da televisão ir de 64% para 58%. Na sequência do bloco intermediário estão Bahia (57%), Botafogo (56%), Corinthians (55%), Vasco (55%), Ceará (55%) e Grêmio (54%).

Entre os menos dependentes considerando apenas receitas recorrentes, estão Internacional (51%), Flamengo (51%), São Paulo (50%), Palmeiras (40%) e o Fortaleza (38%).

No caso do Palmeiras, explica o relatório, a presença relevante de luvas contratuais na conta faz com que o destaque seja positivo. O elogio se aplica também ao Fortaleza, que subiu para a Série A em 2018, assim como Avaí e Goiás, teve um contrato com a Turner em bases bem menores (fixo de R$ 9 milhões, sem ganhos variáveis) que outros clubes, mas ainda participou de um novo bom contrato com a Globo em outras mídias.

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