Poucas horas depois de o Palmeiras conquistar o título inédito da Libertadores, em 1999, os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo chegavam às bancas com reportagens especiais dedicadas à conquista alviverde. E empreendedor que se preze não deixa oportunidade escapar. Nessas mesmas edições, a agência de turismo Stella Barros já anunciava pacotes de viagens ao Japão para quem quisesse (e pudesse) ver o Verdão disputar o Mundial.

Este é o tema do nosso terceiro post na série “Quanto Custava?”. O Palmeiras, no exato instante em que Zapata perdia o pênalti decisivo e fazia o Verdão campeão da América, garantiu vaga no Mundial Interclubes, competição que na época juntava os vencedores da Libertadores e da Liga dos Campeões da Europa. A data já estava marcada: 30 de novembro de 1999, em Tóquio, no Japão. O país recebia o torneio desde os anos 1980 devido ao patrocínio da Toyota.

O adversário seria o Manchester United, que no mês anterior conseguiu uma virada histórica nos minutos finais do jogo contra o Bayern de Munique na grande decisão da Liga dos Campeões. Tudo definido, portanto, era hora de começar a planejar as viagens. Não temos aqui ainda anúncios de empresas concorrentes, mas a tradição da Stella Barros nos permite levar em conta o preço anunciado à época para atualizar os valores e adaptá-los ao mundo de hoje.

O preço do pacote de viagem: 16 parcelas de R$ 276,00. Descrição: “Parcelas fixas em reais”. Importante, pois o dólar vivia forte instabilidade desde janeiro daquele ano, quando começou o segundo mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A agência descrevia o preço como “câmbio promocional de R$ 1,75” (de fato, o dólar turismo fechou o dia anterior cotado a R$ 1,81). Preço total: R$ 4.416.

Nas letras miúdas, era possível ler que se tratava de um “roteiro básico 1”, “categoria econômica”, só. Ou seja, não há a promessa de que o ingresso faria parte do pacote. O valor promocional também era limitado. Válido apenas para comprar feitas até o dia seguinte, dia 18 de junho.

O tal parcelamento em 16 vezes era feito no cartão de crédito a uma taxa de juros de 2,4% ao mês. Havia também a possibilidade de comprar o pacote em sete vezes sem juros, mas no cheque pré-datado. Não foi informado o valor das parcelas neste caso, mas é possível fazer uma conta: os juros pagos no cartão de crédito somavam R$ 784,62. Portanto, o real valor do pacote era de R$ 3.631,38. No cheque, seriam sete prestações de R$ 518,77.

Voltando da viagem no tempo: levando em consideração dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE, entre os meses de junho de 1999 e maio de 2019 (último mês fechado), o pacote de 16x de R$ 276,00 hoje seria o equivalente a pagar 16x de R$ 951,00. O valor total, que era de R$ 4.416,00, em dinheiro de hoje seria um pacote de R$ 15.216,89. Já o preço sem juros, que era de R$ 3.631,38, passaria a R$ 12.513,20.

Passemos para a segunda fase da nossa atualização, a que leva em conta o poder de compra de cada época. Em junho de 1999, o salário mínimo vigente no Brasil era de R$ 136. Hoje, está em R$ 998. Ou seja, uma prestação daquela viagem há 20 anos dava pouco mais de dois salários mínimos. Uma parcela de R$ 951 atualmente não chegaria ao valor total de um salário mínimo.

Prova dessa diferença é que o pacote total com juros (R$ 4.416,00) custava o equivalente a 32,4 salários mínimos em 1999. O valor atualizado (R$ 15.216,98) hoje seria de 15,2 salários de R$ 998. Ou seja, se você quiser considerar o peso que aquele pacote de viagem faria no bolso do brasileiro de então, pense que 32,4 salários mínimos hoje em dia são equivalentes a R$ 32.335,20. Em 16 prestações de R$ 2.020,95.

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